Felicidade Clandestina

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004


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Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004


Pequena
rosa,
rosa pequena,
às vezes,
diminuta e desnuda,
parece
que me cabes na palma
da mão,
assim vou te colher
e te levar à minha boca,
mas
de repente
meus pés tocam os teus pés e minha boca teus lábios
cresceste,
sobem teus ombros como duas colinas,
teus peitos passeiam pelo meu peito,
meu braço mal alcança a rodear
a delgada linha de lua nova que tem a tua cintura:
no amor como água de amor te desataste:
meço apenas os olhos mais extensos do céu
e me inclino à tua boca para beijar a terra.

Pablo Neruda


Ao Som de Leila Pinheiro - Tempo Perdido

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